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Capítulo XXXVI – Debaixo da pedra de sete cores

Quando Ana avistou Sumiris e Lagartixa, elas estavam sentadas em cima de uma pedra de sete cores. Sumiris gargalhava, aliviada. Isso deu coragem para Ana avançar mais rápido.

- Conseguimos, Ana! – gritou Sumiris alegremente para Ana.

Sem entender nada, Ana sorriu.

- Mas onde está o vaso? - perguntara.
- Olhe o desenho de novo, Ana Giovanni – exclamara Lagartixa.

Quando Ana abriu o mapa logo percebeu sete cores que formavam um arco-íris acima da Ponte de Bean-nighe. Ana Giovanni lembrou da descrição de um lugar que havia lido em algum livro quando criança: “Era um lugar rico, rico como panetone” O mapa era explícito e rico como as frutinhas do panetone.

“Debaixo da pedra de sete cores, um pote da barro encontrará.”

- O condado de Piracuru nada mais era do que a Floresta do Curupira – sorria Sumiris.

Ana Giovanni ia empurrar a pedra, mas olhou para Sumiris, cujos olhos brilhavam de felicidade.

- Juntas? – Ana perguntara.

Sumiris Arty consentiu. Quando a pedra se movimentou, Lagartixa se encolheu mais um pouquinho e subiu no ombro de Ana para enxergar melhor.

Era um pote simples, parecia que era feito de argila. A tampa era redondinha e havia furinhos tão pequenos que parecia terem sido feitos com palitos de dente. Sumiris virou a palma de suas mãos para que Ana colocasse o pote de barro sobre elas.

- Como os alfrs disseram: Um pote de barro um deverá trazer – disse Ana entregando o pote para Sumiris.

Sumiris sorriu.

- Você quer ver o que tem dentro, Sumiris?
- Eu quero – respondeu Lagartixa.
- Eu quero ir para casa – falou Sumiris.

Ana Giovanni colocou a pedra de sete cores no lugar.

- Vocês não sabem brincar – falava Lagartixa - Até parecem que não são crianças. O que custa dar uma olhadinha em um segredo álfrico?

As meninas não responderam, apenas continuaram caminhando pela ponte de palha. Ana fora na frente, queria dar uma pegadinha em Justus dizendo que não encontrara nada. Ele ficaria surpreso quando visse Sumiris carregando o pote. Era tão pequeno. O que poderia ter lá dentro?

- Ah!!! Eu vou voltar para bolsa azul, minha missão acabou agora que vocês encontraram o tal pote – resmungara Lagartixa.

Ana e Sumris riram.

- Além disso, esse caminho tá ficando muito chato. Você me carrega, Ana Giovanni?
- Claro que sim – respondeu Ana.

A formiga Lagartixa pulou para dentro da bolsa azul de Ana, se fechando com zíper.

- Quando chegar em casa quero comer um sanduíche duplo, recheado de todas as porcarias do mundo. Quer dizer, do meu mundo.

Ana Giovanni jogou a bolsa para o outro ombro, pois estava começando a ficar cansada.

- Onde é sua casa, Sumiris? – indagara Ana.

Mas Sumiris não respondeu. Quando Ana olhou para trás, a menina estava assustada olhando para direção contrária de Ana.

- O que houve, Sumiris?

Quando Ana olhou para os pés de Sumiris, eles estavam sangrando. Quando Ana percebeu todos os cipós das cordas se mexiam. Cobras venenosas passeavam pelo elo da ponte.

Cobras apertavam os pés de Sumiris. Cobras cercavam o corpo de Ana. Em choque, a voz de Sumiris foi sumindo sumindo, ficando rouca:

- Feys são protegidos pelo Espírito da Vida. Feys carregam o fardo da escolha por todos. Feys só carregam a mensagem, não entendem o significado. Os segredos de má sorte começam a ser espalhados pelo mundo. Guerras serão como pães de padaria. Recheados e quentinhos. Fáceis de encontrar. Fáceis de começar. A mensagem, a mensagem. Não deixe a história ser contada ao avesso. Feys protegem as mensagens. Mensagens, mensagens. Banshee vai, Banshee foi, Banshee será, Banshee é.

Ana Giovanni tentava balançar Sumiris, mas a menina estava em transe. As cobras apertavam os pés de Sumiris que começaram a ficar roxos. Ana Giovanni teve impressão de escutar os pés da menina se quebrarem. Desesperada, ela começou a bater com as mãos nos cipós cobras.

- Socorro! Socorro! – gritava Ana. Alguém me ajude!

Sumiris foi se curvando, curvando de dor. Ana Giovanni correu para o caminho de pedras, saindo da ponte, procurando ajuda. Onde estava Justus? Onde estava ele quando mais ela precisava? Ela precisava ajudar Sumiris. Ela precisava... Onde estava Skiter?

Foi aí que ela viu o demônio planando no ar. Ele sorria com as mãos livres e seus chifres brilhavam a cada grito de Sumiris.

- Geofania mágica fez Johnny Nash encontrar Skiter. Skiter servir servir um demais até morrer.

Ana Giovanni reconheceu o casal que havia abordado as crianças na Cidade do Tempo. Benjamin Boyle e Camille Jordan. Um homem de chapéu de Indiana Jones segurava Justus pelo pulso, em cima de um grande hipopótamo.

- Demais Johnny Nash trazer relógio. Skiter seu servo. Skiter faz isso.

Johnny Nash jogou um estranho relógio avermelhado de pulso para o ar. Skiter agarrou o objeto.

- Skiter servir servir um demais. Nunca uma demais. Lalalala jabaji sobuji!

As cobras cipós apertaram as pernas de Sumiris Arty. A menina se curvou.

- Não! – gritara Ana Giovanni – Sumiris!

Mas demônios são malvados. Menores ou maiores, são demônios. Skiter estalou os dedos ásperos, as cobras cipós se soltaram. Sumiris Arty agarrou o pote de barro. Ana viu os olhos da menina se fecharem quando a ponte despencou. Um bolo subiu em sua garganta, sufocando-a. Ela não conseguia gritar.

Quando o capuz prateado de Sumiris Arty bateu no chão mágico de Itako, todos os alfrs gritaram. A floresta tremeu. O sorriso de Skiter sumiu assim como a paz do lugar. Como um rádio fora de sintonia, todas as coisas mágicas se revoltaram. Johnny Nash estava preste a correr, levando Justus consigo quando um barulho estrondoso surgiu do meio do nada. Mys e suas madeixas negras balançaram quando um raio de alfrothul caiu sobre Benjamin Boyle e Camille Jordan que apontavam armas metálicas para a multidão de alfrs que saíam da floresta. Johnny Nash tentou correr com o Behemoth, mas a alfr Thaler lançou uma flecha de seu arco de ouro, prendendo o chefe dos agentes. Justus tentou chegar perto de Ana, ainda em choque pela perda de Sumiris.

Um alfr ruivo invocou Leviatã, o monstro mítico. O Behemoth entrou em uma batalha com ele, esquecendo seu dono. Johnny Nash havia perdido sua vantagem no jogo.

Thaler assobiou. Mys soltou Nash. Ele correu, seguido de Boyle e Camille, ainda meio tontos.

- Você os soltou! – gritara Justus para a alfr.
- Não somos maus. Somos justos – afirmara Thaler.
- Mas você viu o que eles fizeram! Você chama isso de justiça? – irritava-se Justus.
- Não somos essa palavra. Isso não é puro. Somos alfrs. A floresta enlouquece qualquer um quando não se tem direção. Chegou a vez de seu desafio, demais. Duas escolhas você terá: perseguir e vingar ou as pimentas do Reino provar.

Justus olhou para Ana, mas a menina estava com uma tristeza tão profunda que Justus olhou intensamente dentro dos olhos da alfr e disse:

- Sumiris levou com ela o pote de barro.
- Há sacrifícios e sacrifícios – dissera Mys, aproximando-se de Justus – Mas nada supera invocar a maldade aqui. Isso agora é seu por direito, menino demais. Só você poderá plantar essa semente.

Mys abrira a mão de Justus. Entre suas linhas, uma pequena semente, parecida com caroço de feijão prateado. Justus guardou-a no bolso da blusa de seu uniforme do Sagrado Coração.

Enquanto isso, Thaler assoprara o rosto de Ana Giovanni, trazendo para si o ar renovado daqueles que perdem pessoas que amam, mas que sempre vêem uma luz no fim do túnel.

- O que foi isso? – ela perguntara para alfr.
- O segredo do pote de barro. O último pensamento de Sumiris Arty, a menina do capuz. Sua Banshee.

Ana Giovanni tirou de seu uniforme o livro 16. Justus agarrou a mão de Ana. Mys trouxera Skiter que esperneava, descontrolado. Quando Ana Giovanni abriu uma página do livro e a fenda os puxou lentamente, deixando para trás o mundo mágico e justo dos alfrs, um estranho relógio avermelhado de pulso começou a queimar.

Escrito por Jinny Vendingo às 4:23 AM // Link este capítulo

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