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Capítulo XXXV – Bem vindos a Bean-nighe

- Bean-nighe? Bean-nighe? Skiter precisa ir! Skiter precisa ir!
- Achados e Perdidos? – questionara Sumiris, ajeitando sua capa prateada.
- Sim – respondera Lagartixa. Paralelamente conhecida.
- Ana, você precisa ver como é um alfrothul! – Justus exclamava.

Ana Giovanni não conseguia desviar os olhos do mapa que segundos antes Justus tinha lhe mostrado. Por que ela ficara tão encantada? De onde ela tirara a sensação de já ter visto aquelas linhas e desenhos em algum lugar? De onde surge a impressão de Deja Vù?

Instintivamente, a menina virou o mapa de cabeça para baixo.

- E Sumiris não consegue ler os pensamentos aqui, eles ficam todos guardados dentro de um balão de gás – Justus continuava.

- Skiter Skiter servir um demais até morrer! Bean-nighe? Bean-nighe?
- Já até me chamaram de São Longuinho – se gabava Lagartixa.
- São Longuinho? – rira Sumiris. O que é isso?
- São Longuinho, São Longuinho me ajude a achar...
- É isso! – gritara Ana.

Todos se calaram quando a menina, eufórica, colocou o mapa em uma árvore tropical e começou a esfregá-lo no tronco.

- Ana! Você vai rasgar o mapa assim! - resmungara Justus, ajeitando seus óculos vermelhos.

Sumiris pegou Ana pela gola do uniforme do Sagrado Coração.

- Se você rasgar esse mapa todos nós seremos amaldiçoados!

Ana percebeu que Sumiris estava, pela primeira vez, com medo.

- Eu já vi esse mapa antes.
- Como assim? – perguntara Lagartixa. Isso é magia álfrica. Magia álfrica só é conced...
- Concedida a Feys.

Justus levantara a sobrancelha.

- Minha mãe me mostrou uma vez como encontrar tesouros escondidos, raspando o papel nas árvores. Eles nos mostram....
- O caminho a seguir – indagou Sumiris.

Esfregando o mapa na árvore Ana conseguira que o mapa mostrasse um caminho detalhado, aberto pela magia da árvore.

- Deixe-me ver – falara Lagartixa. É claro, é claro.
- Bean-nighe? Bean-nighe? Skiter precisa ir! Skiter precisa ir!

Lagartixa abrira um buraquinho com suas antenas dradis. Enrolou o mapa bem fininho e o colocou na fenda do chão.

- Bean-nighe? Bean-nighe? Skiter precisa ir! Skiter precisa ir!

O demônio enfiou seus chifres perto do mapa.

- Geofania mágica.

Lagartixa pediu para as crianças se afastarem e solenemente disse:

- São Longuinho, São Longuinho, me ajude a encontrar o caminho até Bean-nighe que dou 10 pulinhos.

Ana, Justus e Sumiris esperavam ansiosos, mas só o som de folhas caindo ressoou na floresta. Skiter afundou mais seus chifres.

Lagartixa curvou-se, colocando sua testa no chão de Itako.

- São Longuinho, São Longuinho, nos ajude a encontrar o caminho até Bean-nighe que daremos 10 pulinhos com um pé só. Todos nós. Até o demônio menor.

Um vento quente percorreu os cabelinhos das crianças. O chifre de Skiter brilhou e Lagartixa sorriu.

- Espertinho. Vai levar 50 pulos ao total – disse Lagartixa.

Ana Giovanni segurou sua bolsa azul com força, pois um vento forte começou a percorrer a Floresta de Itako. Não tão forte a ponto das crianças voarem, não tão fraco para não ser notado. As árvores se curvaram e um caminho de pedras arredondadas e pontiagudas se abriu.

Justus ajeitou seus óculos.

- Meninas primeiro.

Sumiris foi a primeira a abrir a boca depois de entrar no caminho. Seguida de Ana, Skiter, Lagartixa e Justus que davam 10 pulinhos ao longo da passagem.

As árvores abriam um caminho de pedras que os conduzia a uma fina e velha ponte de palha, segurada por cipós que lembravam cobras. Um grande arco cobria a cabeça das crianças. No fim da ponte um quadrado nebuloso.

- Chegamos – disse Lagartixa.
- Chegamos? – perguntara Justus - Se meus cálculos não estiverem errados, essa ponte vai cair assim que encostarmos a unha do pé nela.
- Bean-nighe é protegida pelos alfrs. Ninguém se atreve...
- Skiter servir servir um demais até morrer.
- O que deu nessa vitrola quebrada? – indagara Lagartixa.
- Ele me salvou. Deixa ele em paz – disse Ana.

A ponte balançou com o vento.

- Nunquinha que eu vou nessa montanha-russa de palha.
- Alguém precisa ir buscar o vaso – coçou seus dradis a formiga sorridente de olhos verdes - Não sou eu que vou ter praga na pele. Vocês sabem, eu retorno.
- Eu vou – disse Ana.
- Não, eu vou, Ana – retrucou Sumiris.
- Meninas – sorrira Justus – sempre as mais burrinhas.

Ambas olharam para Justus e o empurraram para ponte.

As pernas do menino tremeram.

- Foi por sua culpa que viemos parar aqui, menino gênio – disse Sumiris. Você vai na frente.

Lagartixa se encolheu tanto que voltou a seu tamanho normal de formiga. Ela passeou alegremente sobre os cipós.

- Deixem de covardia – disse com sua voz fininha agora. Eu vou e volto correndo.

O suor brotava entre as hastes dos óculos de Justus.

- Você só tem cérebro, Justus – disse Ana, empurrando o menino para o lado – Fica aqui com Skiter.
- Se você insiste – disse ele, voltando rapidamente para o lado de Skiter.

Ana Giovanni seguiu Lagartixa e Sumiris que já haviam sumido por uma névoa geladinha. Ela apertou bem suas mãos nas cordas de cipó. Deu seus dois primeiros passos e pensou: É só uma ponte.

Escrito por Jinny Vendingo às 8:51 AM // Link este capítulo

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