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capítulo XXXII – Florestas selvagens de Itako
Sumiris Arty andava calada ao lado de Justus. O menino, compenetrado no mapa álfrico, não dera uma palavra desde que os dois haviam despertado no meio de uma sequóia gigante. Um mico leão dourado havia pulado de um galho para outro.
- É mais difícil que o jogo XXVVEE fase 5. Como eu vou saber onde começa o condado de PIRACURU? Se eu tivesse o meu aparelho eletrônico e aquele PALM usado de...
Sumiris Arty agarrou Justus pela gola do sujo uniforme Sagrado Coração.
- Você tem 24 horas para descobrir, projeto de gênio. Se não, eu vou morrer! E você vai apodrecer! E tudo porque eu fui dar uma de boazinha e tentar te salvar!
O menino deu um encontrão em um arbusto espinhento.
- Você não precisa agradecer – ela gritou, arrancado o mapa da mão dele.
- E... e... – guaguejou o menino.
- É um anagrama – Sumiris Arty retrucou.
- Um anagrama – bravejou Justus, ajeitando seus óculos vermelhos – Eureka!
- Eureka? Ninguém mais diz isso.
- Eu já sei – disse Justus, arregalando os olhos.
- CURUPIRA! – gritara Sumiris Arty.
Justus ainda tentou levar sua mão à boca de Sumiris, mas ela já havia pronunciado a palavra.
- Você está louco, guri doido?
Com as mãos tremendo, o menino respondeu:
- Você não deveria ter falado isso.
- Mas por que não?
Um leve farfalhar surgiu nas matas. Um sorriso verde brotou no ar.
- Quem me chama? – a voz se materializou e um anão de cabelos compridos vermelhos surgiu.
Sumiris Arty deu um pulo.
- Mas que coisa é essa? – a menina falou.
- Um um cu cu curupira – Justus respondeu.
- Quem não respeitou o período de procriação? – o Curupira perguntou. Sabe que posso enlouquecê-lo no meio da mata?
Justus só balançava a cabeça concordando.
- O negócio é o seguinte, ô Curupira. Precisamos chegar logo na ponte de Bean-nighe. Antes de anoitecer, se possível.
O Curupira soltou uma gargalhada e sapateou com seus pés virados para trás. Justus se encolheu. Assim como os dentes verdes surgiram, eles se foram.
- Droga! Sua culpa, Justus! Você poderia ter ajudado!
- Era um Curupira! Você queria que eu fizesse o quê?
- Argh! Por que eu fui te procurar? Deveria ter procurado a Ana.
Justus calou-se. Uma tristeza abateu-se nele. Vendo o erro que cometera, Sumiris profetizou:
- 24 horas, Justus. É só o que temos.
- Curupiras criam ilusões, eles fazem os caçadores se perderem no meio da mata. Despistam, nos levam para direção errada. Agora iremos passar por um caminho que não é certo.
- O que você queria que eu fizesse, hein, menino gênio?
- Deveríamos ter preparado um banquete para depois pedir ajuda. Agora ele só vai nos atrapalhar.
Sumiris Arty deu de ombros.
- Quem precisa de um Curupira idiota?
Uma gargalhada ecoou pela Floresta de Itako.
- Ok, Justus. Vamos por esse lado. Pegadas!
Sumiris correu antes mesmo de Justus gritar Não!
Quando ele percebeu, ela tinha dado a volta e parado no mesmo lugar. Uma risada ecoava repetindo: “Pinga a pipa dentro do prato, pia o pinto e mia o gato”
Sumiris Arty socou uma árvore.
- Droga! Nós vamos morrer aqui!
Justus sentou cansado, a menina chorava.
- E eu nem fui coroada menina prêmio na cidade de Jajaboh. Nunca mais verei a Cidade do Tempo. Estou presa aqui com um menino de óculos vermelhos!
- Obrigado por ter ficado, disse Justus.
Sumiris Arty enxugou as lágrimas.
- De nada.
Justus e Sumiris Arty ficaram parados no silêncio por horas.
De repente, o menino se levantou decidido, ao ver que o cair da noite brotava na floresta:
- Temos 20 horas, Sumiris. Eu não vou ficar parado esperando o baú da Morte. É a Ponte que precisamos achar, certo? Será a Ponte que procuraremos. Isso é uma Floresta Encantada, o que pode nos machucar?
- Aquilo – Sumiris apontara para um lugar acima do ombro de Justus.
Quando ele se virou, uma figura com cara de cão e longos dentes brancos surgiu rosnando. Era bípede e tinha as unhas sujas de areia.
- Um chupa-cabra! – Justus gritou. Corre!
Ele nem precisava mencionar o nome porque Sumiris Arty conhecia as histórias do ser que retirava por pequenos orifícios todo o sangue da pessoa. Ela sabia que o animal agia em silêncio, retirando os órgãos principais e drenando todo o sangue.
Justus tentou entrar dentro de um tronco velho, mas lá tinham muitos tatus. Sumiris Arty tentou subir em uma árvore, mas os musgos faziam com que ela escorregasse. Os dois deram de cara um com o outro, com o suposto chupa-cabra os rodeando. As crianças se abraçaram.
De repente, um barulho de fogos de artifício invadiu a Floresta. Justus pensou que aquele era o som da mordida do Chupa-cabra. Sumiris pensou que aquele era o som de algum caçador os protegendo. Quando ambos abriram os olhos, um Curupira sorridente repetia:
- “Pinga a pipa dentro do prato, pia o pinto e mia o gato” Para onde vocês querem ir mesmo?
Escrito por Jinny Vendingo às 7:22 PM // Link este capítulo
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