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capítulo XXX – O reino de Itako
Quando o corpo de Sumiris Arty atingiu o chão, sua mão formou uma concha para que todas as memórias pudessem ser resgatadas. Vozes em sussurros invadiam sua mente e ela não conseguia distinguir o que os seres pensavam. Um grande bloqueio mental deixava sua mente vazia. Pela primeira vez, ela conheceu o silêncio da paz e a dor que isso nos concede. Mas independente do medo a dominar por inteiro, suas memórias ainda existiam dentro de seus pensamentos.
O uniforme prateado e sua capa com capuz se tornaram pontos cinzas quando ela percebeu o lumus do lugar.
Do chão, árvores retorcidas, sem folhas e flores. Mas o que seria uma visão desértica, nada mais era do que as árvores mais bonitas que ela já conhecera. Na ponta de cada galho uma luz de abeto que ilumina sem parar e um perfume âmbar que invade os poros trazendo uma sensação de imortalidade e poder. - As árvores do conhecimento – ela sussurrou para si.
Sumiris Arty subiu lentamente pela inclinação oeste, botou a mão na testa para poder enxergar melhor, mas uma grande neblina atrapalhava o continuar do seu caminho.
- Parecem as torres de Babel – ela disse.
Duas torres destruídas coligadas por um semicírculo de paredes com diversas aberturas. A luz que penetrava pelos orifícios era tão bonita que o que seria uma paisagem de sofrimento se transformava em um quadro que inspirava sensação de força e grandiosidade.
Os cabelos de Sumiris Arty rebelaram-se quando uma brisa gélida percorreu o local. Os musgos percorriam a arquitetura, composta de paredes cinzas furadas. Cipós balançavam de um lado para o outro. Borboletas caminhavam pelos lírios amarelos e brancos. Pequenos e minúsculos. Mas as flores não eram comuns. De dentro, um néctar que chamejava.
Assim que o vento parou, a névoa se dissipou e Sumiris Arty viu uma grande cidade de prédios semicirculares. Edificações pós-modernas que cintilavam. Tetos de capelas. Prédios que davam uma sensação de semi-rodopio, como se aquele mundo fizesse parte da metade do movimento cíclico da Terra.
O céu aveludou-se. Um tom vermelho misturado por uma cor púrpura cobriu o firmamento. Pequenos pássaros passaram pelas luzes de abeto. Na entrada da cidade, duas meninas de cabelos de fogo e vestidos pretos flutuavam. Brancas como puro gelo, seus cabelos balançavam perto de bússolas e um quadro que tinha nuvens pintadas. As meninas se olhavam e dançavam, flutuantes em uma coreografia álfrica.
A sociedade dos alfrs era matriarcal. Era um lugar de luz translúcida. Mas diferente do que Sumiris Arty sabia sobre alfrs, uma miscigenação brotou a sua frente assim que a dança das meninas de cabelos de fogo findara.
Doces canções de verão surgiram da boca do povo a sua frente. Todos eram tão brilhantes que Sumiris Arty não conseguia os olhar de frente.
“Bem vindo ao mundo abaixo de Asgard, o deus que habita em mim saúda o deus que habita em você, o Palácio de Brug na Boinne uma vez aqui se encontrou, corre entre nós o sangue dos Thuatha De Dannan e de Tatsu, mas depois da grande batalha de Kithain que aqui se travou, mais justos nos tornamos, já que mestiços somos. Bem vindo aos muros de nosso reino nato. Bem vindo ao fim das Florestas de Itako”.
Um flash de raio invadiu a íris de Sumiris Arty. A menina presenciou a imortalidade do palácio dos alfrs se erguer do chão a sua frente. Alguns dedos álfricos fizeram com que Sumiris Arty flutuasse. O fogo das fadas iluminou a passagem. Elas inclinavam suas cabeças para que a luz brotasse assim que a menina passasse.
Na entrada do palácio, dozes profetas sentados nas pedras circulares. Na mão do mais alto, negro como a noite sem lua, antigas escrituras sagradas. A seu lado, uma mulher de pele alva responsável pela clarividência. Havia a alfr ruiva, responsável por detectar mentiras, a albina que aceitava sugestões, a verde que dissipava magia, 3 alfrs crianças, dois alfrs azuis responsáveis pela evolução das lutas de espada e as duas últimas guardiãs da Pimenta.
Imortais e eternamente justos, os alfrs mestiços eram conhecidos por sua tolerância maior e sua aversão à escuridão. Eles fariam de tudo para que a justiça reinasse.
As artes mágicas e as coisas secretas que não podemos pegar originárias da terra flutuavam pela cidade. As raízes de uma montanha prendiam Justus com sua invisibilidade.
Sumiris Arty planou perante os doze alfrs. Thaler assobiou. A alfr colocou Sumiris de cabeça para baixo. A menina sentia o sangue pulsar dentro de sua cabeça.
Um coro grego de alfrs meninos eram os responsáveis pela acusação:
- Alfrs negros não nos tornamos. Se deixarmos a injustiça entrar, perdidos nós estamos. Não há raça mais traiçoeira e bondosa que os humanos. Demais eles são. Aqui, uma menina dentro de nossos pensamentos quer invadir. Por Álfgeir devemos resistir.
Sumiris foi reerguida. A menina queria vomitar, mas engoliu a seco.
O coro de alfrs meninos foi substituído por Mys, a suplicante:
- Por Kithain, a demais merece perdão. Dar-lhe-ei uma tarefa em troca de sua redenção. Cá vimos os pensamentos e as lembranças dela, não há nem resquício de escuridão. Libertem os demais e esqueçam os refrões!
O homem vestido com o manto verde e a harpa coco trouxera dois balões transparentes. Justus ajeitou seus óculos vermelhos. Ele não podia dar um passo, mas juntou as mãos como em oração.
O coro de alfrs meninos retornou com as acusações:
- Conhecemos o barulho do gato em movimento, já ouvimos a respiração de um peixe, sabemos que não há solução. A demais deve sofrer o máximo de punição!
Mys abaixou a cabeça em respeito quando uma alfr rubi, com metade dos cabelos negros e metade loiros abriu as portas do palácio. Ela caminhou até Justus e o segurou pelo braço esquerdo. Com o dedo anelar fez com que Sumiris encontrasse chão firme.
- Que a Teoria dos Jogos comece, conforme a tradição. Você, Sumiris Arty enfrentará o desafio do coração. Você, demais Justus, o raciocínio da recuperação. Em 24 horas, um pote de barro um deverá trazer. Para isso, é necessário atravessar a Ponte de Bean-nighe. Perigos das Florestas de Itako vocês deverão superar. Como prêmio, As Pimentas de nosso Reino vocês poderão provar e o perdão Sumiris encontrará. Caso contrário, por Kithain eu rogo, uma praga no corpo de ambos aflorará. A morte iremos presenciar.
Mys balançou a cabeça positivamente. O coro de alfrs meninos vibrou. O som de uma canção foi ouvido ao longe. Um mapa foi entregue à mão de Justus. Quando ele o pegou, um sono abateu seu corpo. Ele só viu a capa e o capuz de Sumiris encontrarem levemente o chão. Meio segundo depois, tudo foi apagado por um Alfrothul.
Escrito por Jinny Vendingo às 1:32 AM // Link este capítulo
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