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capítulo XXVIII – Johnny Nash está a caminho
Benjamin Boyer ajeitou sua grande gravata branca dentro de seu terno impecavelmente alinhado. Coçou o nariz, parte muitas vezes caçoada pelos colegas de trabalho devido a sua estrutura óssea grande. Sacudiu o pé direito, tentando se livrar a qualquer custo da areia prateada que cismava em se agarrar vivamente a seu sapato número 234, preto vinil. A areia de Itako era pegajosa, segundo Camille Jordan.
- O Departamento protocolou o procedimento? – indagara Benjamin Boyer.
- Diz-me, depressa, calculador inteligente, quais são as quantidades cuja diferença é oito e a diferença dos seus quadrados é 400 – respondera Camille Jordan, com seu sorrisinho pronto de dane-se o mundo, eu sou inteligente.
- Poesia para meus ouvidos, querida. Você sabe que essa é minha citação preferida.
- Pare de duvidar do Departamento, Benjamin e vá procurar logo a toca.
- Ok. Recapitulando: Um falcão está sobre o topo de uma coluna de dez metros, na base há um buraco de cobra, certo?
- Estando a cobra a uma distância horizontal da coluna igual a três vezes de altura da coluna, o falcão avança para a cobra em linha reta alcançando-a antes que ela chegue à sua toca.
Boyer pigarreou e ajeitou sua gravata.
- Se o falcão percorreu o dobro da distância percorrida pela cobra, a distância aproximada da toca em metros, do ponto onde a cobra foi alcançada é de...
- Eu amo equação de segundo grau! – vibrou Camille Jordan, pisando aleatoriamente em samambaias gigantes.
Camille Jordan e Benjamin Boyer se entreolharam e gritaram ao mesmo tempo:
- 19 metros!
Os dois correram mata adentro. Nas florestas tropicais de Itako o verde tinha tonalidades diferentes, assim como o branco dos esquimós. Segurando uma bússola de alta tecnologia high tech, os agentes deram dois passos para trás quando descobriram o que estava dentro da toca.
Um grande Behemoth se alimentava das grandes samambaias que contornavam o chão da Floresta de Itako. A criatura fantástica, mais parecendo um hipopótamo monstruoso enrugado com duas garras saindo da boca fitou os agentes com seus grandes olhos brancos.
Uma gota de suor descia pela fronte de Camille Jordan.
- Você calculou certo, Benjamin? - Eu não erro esse tipo de...
O corpo couraçado se movimentou, a presença dos agentes foi notada.
Camille Jordan e Benjamin Boyer estavam tão impressionados pelas orelhas humanas do bicho que nem notaram quando um velho senhor de chapéu Indiana Jones sorrira para ambos do alto do animal pré-histórico.
- Impressionante, eu digo! Todas as pessoas do Departamento que vieram aqui correram antes mesmo de eu me apresentar.
O velho senhor, ao contrário de Indiana Jones, usava uma clássica calça Lee, dos primórdios do jeans, um tênis all star preto e uma camisa “Por que falam mal dos anos 80?”. Ao invés do clássico chicote, ele tinha na mão esquerda um anel de lagartixa.
Camille Jordan gaguejou. Benjamin Boyer sentiu uma leve palpitação. O velho senhor estendeu a mão, seu anel de lagartixa continha as iniciais TPMT:
- Johnny Nash a seu dispor.
Escrito por Jinny Vendingo às 8:59 PM // Link este capítulo
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