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capítulo XXVI – Lalalala jabaji sobuji
- O que você está ouvindo? Ahn? Ahn?
Ana Giovanni acordou com uma criatura a observando ansiosamente falando consigo mesma.
- O que você está ouvindo? Ahn? Ahn?
Debaixo do céu azul com gaivotas amarelas, Ana Giovanni piscou várias vezes imaginando ainda estar na cama fofa de sua casa de 7 quartos, 8 gatos, 1O empregados e 5 banheiros.
Skiter, desajeitado como sempre, vendo que a demais não respondia, começou a sacudi-la.
- O que você está ouvindo? Ahn? Ahn?
- Eu estou bem - gritou Ana Giovanni, se afastando das mãos ásperas de Skiter.
Lalalala jabaji sobuji, comemorou Skiter.
- E você quem é? - Skiter estúpido! Skiter estúpido! - Skiter estúpido? - Precisamos correr! Como sou estúpido! Skiter estúpido! - e bateu as mãos na testa, entre as duas protuberâncias.
Foi aí que Ana reparou que ele mais parecia um....
- Mas você é o quê? - indagou Ana Giovanni. - Skiter? Skiter é um pequeno demônio de nariz pontudo. Pronto a servir a servir até morrer. - Você? Se afaste de mim, demônio!
Ana Giovanni estava preste a correr, quando a criatura agarrou seu uniforme do colégio Sagrado Coração.
- Alteza, me perdoe. Skiter não trabalha mais para Ele. Skiter demônio menor não mais, Skiter não trabalha mais para Ele. Skiter agora... - Ele? - Lu. O grande. O dono do desequilíbrio. Skiter não trabalha mais para Ele. Skiter agora quer ajudar demais a encontrar caminho de casa. - Mas por que você quer me ajudar? - Porque demais interceptou a carta de Lu e e o outro Ele. Agora Lu não pode mais fechar negócio. Agora Skiter não pode mais usar de magia, agora Skiter não tem mais estranho relógio avermelhado de pulso. Agora Skiter não passa de um pequeno demônio. Agora Skiter não tem mais ninguém. Agora Skiter pronto a servir servir até morrer para um demais. - Um demais? Mas que diabos é um demais?
Um latido foi ouvido ao longe. Não um latido de um pitbull ou um pincher nem mesmo um latido de dobberman alemão. O latido era selvagem. Foi aí que Ana Giovanni se distraiu e observou a paisagem ao redor. Skiter pronunciava palavras que Ana não compreendia. Por entre a grande paisagem tropical e litorânea, paisagem que lembrava uma de suas praias preferidas que ela e sua família tinha visitado no Caribe verão passado, Ana Giovanni viu surgir entre as palmeiras e os coqueiros metricamente alinhados, uma voraz criatura parecida com um carneiro, com um grande conjunto de presas afiadas.
A voz de Skiter se elevava mais e mais, mas a criatura não se intimidava.
- Skiter tem que fugir. Skiter tem que fugir.
Ana se viu encantada. Em meio a grande paisagem local de paz tropical, como se o verão fosse eternamente gostoso e o sol não queimasse, Ana sorriu. Olhou para o céu. As gaivotas amarelas ainda estavam lá. A praia de onde ela e Skiter tinham escapado não mais parecia o mar perigoso de Nubalú, mas uma grande piscina cristalina de água salgada. Ela viu peixes coloridos, tatuís sorridentes mergulhando na areia da praia. Pequenos pedaços de conchas prateadas.
Como a areia é fofa - pensou Ana Giovanni.
No fim da praia, muitas palmeiras e coqueiros balançavam encantados pelo vento suave e praieiro.
- Um ao ao! - gritou Skiter.
Ana já ia falar “Um cachorrinho” quando o demônio Skiter a puxou, dando 5 passos para trás.
Pernas de Ana Giovanni obedeciam Skiter, mas ela queria parar e abraçar o carneiro de presas afiadas que caminhava diretamente para os dois.
- É um cachorrinho! – gritava Ana Giovanni.
Skiter, desajeitado como sempre, começou a puxar a menina pelos cabelos, dando mais 10 passos para trás.
- Ao ao monstruosa criatura guarani, um dos filhos de Tau e Kerana - balbuciava Skiter mais para si do que para Ana Giovanni.
- Protetor de colina e montanha - Skiter disse agarrando Ana Giovanni e a colocando em sua frente. - Viu? Ele é só um protetor, sorria Ana Giovanni. - Canibal devorador de gente - balbuciou Skiter - Vê vítima para comer, persegue por qualquer distância, não parando até comer.
Ana agarrou a mão de Skiter. Melhor lidar com um demônio-menor do que virar refeição de mito.
A criatura pareceu falar. Ana e Skiter entortaram suas cabeças a 30º.
- Ao ao.
Era o som que Skiter temia.
- Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao.
O som que a criatura faria para perseguir suas vítimas. Skiter empurrou Ana Giovanni, agarrando-a.
- Corra, demais!
O ao ao pareceu se confundir. Ana e Skiter se separaram, cada um indo para um lado oposto da praia. O ao ao olhou para direita e para a esquerda. Ana Giovanni só conseguiu ouvir Skiter gritar árvore, porque depois só o ruído tenebroso do Ao ao invadiu a placidez da praia.
O ao ao perseguia o pequeno demônio. Ana Giovanni corria desesperada quando viu um outro carneiro de presas afiadas.
Uma fêmea, Ana pensou. Coisa ruim nunca está sozinha. Esse Ao ao, entretanto, era diferente, não caminhou lentamente e sim disparou em direção a Ana. Sem saída para o lado oposto do primeiro Ao ao, Ana Giovanni correu em direção a Skiter. O que Ana não sabia era que Aos Aos não são egoístas. Se perseguem, só perseguem um, nunca dois.
- Skiter estúpido, Skiter estúpido - gritava o demônio, balançando as mãos e agarrando uma palmeira e subindo-a como um lagarto.
Ana Giovanni fez o mesmo, graças a suas férias caribenhas e suas brincadeiras de quem pega coco primeiro, ela subiu rapidamente em um coqueiro.
- Uhuu - gritou Ana Giovanni.
Isso chamou a atenção dos dois Aos Aos. Os Aos Aos abandonaram Skiter e circundaram o coqueiro de Ana. Ana Giovanni arregalou os olhos quando as duas criaturas uivaram incessantemente e começaram a cavar a raiz do coqueiro. A árvore começava a balançar. Se eles continuassem nesse ritmo, rapidamente a árvore cairia.
As mãos da menina suavam. Ela tentava subir mais e mais o coqueiro, mas o suor fazia com que ela escorregasse. Suas mãos já estavam feridas de tanto tentar agarrar o tronco. Seus cabelos ensopados de tanto nervosismo. Ela já sentia o bafo dos Aos Aos perto de seus pés, por isso fechou os olhos e não viu quando Skiter desceu da palmeira, botou a mãos nas cadeiras, coçou suas duas protuberâncias da testa e corajosamente disse:
- Agora Skiter pronto a servir servir até morrer para um demais.
Os Aos Aos uivaram intensamente de alegria. Ana Giovanni abriu os olhos. Só deu tempo de Skiter gritar PALMEIRA! Ana Giovanni pulou do coqueiro e se agarrou à primeira palmeira que viu. Subiu rapidamente. Do alto ela viu os dois Aos Aos cercarem Skiter.
- O que você está ouvindo? Ahn? Ahn? – o demônio sibilou.
Dessa vez Ana não fecharia os olhos. Ela pode ver quando os dois Aos Aos atacaram Skiter ao mesmo tempo. Skiter, ágil como um lagarto, deu um pulo. Os dois Aos Aos se chocaram, suas presas bateram uma na outra. Tontos não tiveram tempo de ver Skiter subir, ágil como um lagarto, a palmeira.
Segundo a lenda, a palmeira teria algum poder contra os Aos Aos. Os Aos Aos olharam para a palmeira e para Ana e Skiter, pararam de rosnar e deram meia volta em direção à praia.
Ana Giovanni sorriu para Skiter. Skiter devolveu o mesmo sorriso, cruzando os dedos, atrás de seu corpo de demônio.
- Skiter agora quer ajudar demais a encontrar caminho de casa.
Escrito por Jinny Vendingo às 8:45 AM // Link este capítulo
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