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capítulo XXV – Por Kithain
Havia um alvoroço abaixo do arco-íris que cobria o céu. Os Mantikoras se movimentavam freneticamente. Suas cabeças de homem, com chifres e três dentes de ferro balançavam raivosamente, destoando vozes troantes. Seus pêlos ruivos, metricamente alinhados pelo corpo de leão, eriçavam-se, juntamente com suas caudas de escorpião. Elas estavam prestes a disparar espinhos venenosos, quando uma Alfr, negra como a noite, disparou um Alfrothul, cegando os olhos dos Mantikoras. Metade do grupo cambaleou com o raio fatal. - Por Kithain, Mys. Já é o suficiente. Já sabemos. Dentro de uma grande gaiola de cipós, uma outra Alfr negra com tranças loiras e olhos mel suspendera Justus que tremia. Mesmo com seus 5.0 graus de miopia, ele sabia que a realidade que Mys invocara era assustadora. Justus sabia que a quimera nascia de seu pensamento, mas não conseguia pensar em nada bom. - Meu nome é Thaler, disse a bela cujos cabelos reluziam como pó de ouro. Você se encontra nas Florestas de Itako. Justus quis responder, mas o alfrothul invadiu sua íris e ele caiu. Pensou ter visto nitidamente a bela Thaler sorrir, mas seu último pensamento foi: Eu ainda sou míope? Atrás de uma grande sequóia, olhos azuis piscavam várias vezes. Uma menina de cabelos loiros, escondida dentro de uma capa apertava apreensiva seu uniforme prateado. Ela não ousava nem sequer respirar direito. Elfos eram conhecidos por sua beleza, inteligência, maldade e astuciosa audição. - Não sei porque você está dando atenção para isso, Thaler. Aquela híbrida da Sophia Irvine nos vendeu pele seca! Bruxa do mar maldita! Mys era uma grande e bela Alfr de longas madeixas negras, conhecida por suas frases bem articuladas e seu caráter de justiça. Ela sabia que fazer negócios com o Povo do Mar era complicado, mas Thaler sempre a convencia do contrário. -Mys, ele é um demais. - O quê? Impossível, não há permissões de demais aqui. Você nunca viu um demais, Thaler, viu? - Cílios, batimentos cardíacos. Ele tem aura. - Aura? - Por Kithain, vamos levá-lo para Ikó! Mas é? - Da raça masculina. - Congelados. Milhares de anos da minha existência para ver um demais ser congelado. Será que ele não tem uma fêmea? Thaler sorriu. - Sim, Mys. Ela está atrás da segunda árvore, escondida. Antes mesmo de Sumiris pensar em correr, um longo sono invadiu seu pensamento. Antes mesmo de cair, Mys já havia colocado em um grande unicorne branco, a menina de uniforme prateado. - Vamos deixar o macho, Thaler? - Não. Se ela estava escondida, é porque eles têm algum elo. - Mas o macho não pensava nela. - Eu sei, Mys. Mas a outra chegará em breve. - Como sabe? - Eu sou a irmã mais velha, sempre sei.As Alfrs caminharam lentamente pelo caminho de folhas secas, puxando um cordão prateado que ligava o unicorne às mãos brilhantes das duas. As florestas de Itako eram conhecidas por seus sons encantados e suas espécies míticas. Os pensamentos que ali ficavam eram guardados como sabedoria milenar. Armazenados em grandes bolhas para serem consultadas por seres superiores. Não havia bondade nem maldade. Só a justiça. E justiça para os Alfrs era lei absoluta. O macho havia sido vendido por um preço justo, mas e a fêmea? Mesmo sendo importante para o processo da evolução, ela havia entrado em um campo proibido. E a entrada em campos proibidos era considerada punição máxima.
Escrito por Jinny Vendingo às 8:43 AM // Link este capítulo
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