Mande um E-mail
__
Capítulos Anteriores
capítulo XXI - Motores ligados!
- Hmm, doce!
A menina levou mais um pouco da água do mar a boca e fez um gesto novamente de prazer facial. A água do mar de Nubalú tinha um gosto adocicado, ora parecia suco de morango em uma mistura engraçada de suco de laranja, ora parecia aqueles deliciosos refrescos de umas das lanchonetes da cantina central do Colégio do Sagrado Coração. Apesar, lembrando, que o suco de amora nunca foi seu favorito. Mas naquele momento, o suco havia chegado ao seu paladar com incrível velocidade. Ana Giovanni precipitou-se com o líquido do mar a sua volta. Teve um lapso e pensou em refrigerante. Abaixou a mão em forma de concha e levou o líquido novamente a boca. Nesse momento o gosto era sim de refrigerante. O mesmo em que antes havia pensado. Que surpresa agradável, pensou. Ela seria a única menina da Terra a desfrutar de um dos maiores sonhos de qualquer criança. Um mar inteiro de refrigerante. Apesar da cor da água permanecer igual sempre, o gosto mudava conforme Ana imaginava um novo líquido. Era uma mistura intensa de emoções poder desfrutar daquilo sozinha. Uma ansiedade apertou seu rosto. Tentou não imaginar nada nojento.
A cobra inteligente permanecia imóvel, boiando ao seu lado presa pela alça de sua saia do uniforme. Enfiou a mão no bolso e sentiu a caixa de acrílico de aparelho de dente onde provavelmente estava a estranha formiga dada por Marvius e o chiclete da “A hora certa”.
- Tritões, Aí vou eu!
Exclamou com bravura, respirou fundo, prendeu a respiração e desatou a afundar na água. Submergiu por uns instantes e tentou nadar contra a correnteza que subia do fundo escuro do mar de Nubalú. A água se tornava mais gelada cada vez que descia mais. Então, de súbito, Ana Giovanni sentiu um impulso muito forte lhe empurrar de volta a superfície. A menina não entendeu.
- Mas... como...
O raciocínio foi rápido. Lembrou do Capitão Marvius de outrora. Quando Ana estava em apuros no mar de Nubalú após a tempestade e a perda de Justus, fora achado pela Rosa Fustigante. O jeito como o marinheiro a havia salvado empertigou-a. A cobra inteligente. Aquela loucura toda deveria funcionar para alguma coisa. Se ao menos tivesse um motor, algo que a empurrasse para o fundo do mar. Algo como...
Desenrolou a cobra inteligente de sua fivela e a segurou-a a frente.
- Tem de funcionar. Tem de funcionar. Tem de funcionar.
Levantou o animal pelo rabo a cima de sua cabeça e passou a girá-lo como uma corda. Se alguém a visse nesse exato momento lembraria de um Peão iniciando a condução de uma boiada em algum campo no interior do Brasil. O movimento tomou um rumo mais agitado. A serpente de um estalo, enrijeceu sua base que ia até o rabo e metade dela continuava a girar no movimento de 360 graus.
- Que prático!
A menina passou a descer lentamente a cobra até o mar. Como um furioso motor, o animal afundou provocando uma reação. Um puxão levou Ana para dentro do mar enquanto minúsculas bolhas saltavam em seu rosto por detrás da cabeça da cobra em movimento de hélice.
Rapidamente, a cobra puxava Ana em direção ao fundo do mar.
Belíssimos animais surgiram a sua frente. Peixes minúsculos, parecidos com os que conhecia em seu mundo. Lembravam peixes-palhaço, dourados e outros que não recordava o nome. Como aquele que piscava, ou aquele de um azul estranho. Cardumes pareciam voar na água, num bailado elegante. Três peixes avermelhados chegaram próximos e iniciaram um movimento engraçado para Ana quando sua cabeça passou a doer.
O ar estava acabando.
A cobra inteligente a puxava com força em direção a escuridão do fundo, mas a Cidade dos Tritões não surgia.
O ar estava acabando.
Sua boca se comprimiu em um aperto estranho.
Sua visão se deturpava...
Um único gesto aconteceu.
Do bolso, levou o chiclete do capitão Marvius a boca. Mastigou-o. E assim, envolta de um estranho tremor, sentiu que podia respirar novamente.
Escrito por José Amarante às 1:14 PM // Link este capítulo
É proibida a cópia parcial ou total, sem a devida autorização de seus autores registrados.
A cópia não autorizada é crime e consta no Código Penal. a
- Todos os textos são registrados na Biblioteca Nacional -
|