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capítulo XV - A torre
Ana Giovanni arregalou os olhos quando viu a imensa edificação circular que estava a sua frente. A colossal torre devia ter uns 50 metros de altura e a menina que estava a seu lado dizia que... que....
- Você quer que a gente suba nesse troço aí? – bravejou Justus, ajeitando seus óculos vermelhos. - Vocês são moles mesmo, hein? De onde vieram? Do país das lesmas?
Sumiris Arty fitou Ana com deboche.
- Quer dizer que a mocinha aí tá com medo de altura? - Garota, eu sempre fiz capoeira, tá? - Ai que medo. Mas e aí? Vai ou não vai subir? Eu não tenho como pedir para jogarem tranças para você!
Ana Giovanni irritou-se. Colocou seu pé no primeiro tijolo prateado que viu.
- Ana? Você vai subir mesmo? Não quer que eu espere aqui? Que tal procurarmos outra pessoa? Ana? Ana?
Ana Giovanni já estava no centésimo sexto degrau, subindo para o centésimo sétimo. Sumiris Arty sorriu para Justus.
- Quem chegar por último é mulher do padre, guri.
No qüinquagésimo degrau, Justus sentiu-se tonto. E como em todas as vezes que tinha um gigantesco pavor de algo, precisava conversar. Sumiris estava 10 degraus acima.
- Sumiri seu nome, certo? - Sumiris Arty. - Ei, Sumiris Arty. - Quanto mais você falar, mais vai cansar. - Ainda não inventaram elevador aqui? - Estamos na cidade do Tempo, não na cidade dos Jetsons. - Eu via também. Em qual canal você via? - No 4. - Você é da Terra, então!
A garota parou e pisou na mão de Justus, que cambaleou e quase caiu.
- Você fala demais, garoto!
O suor brotou entre as duas lentes de Justus.
- E qual seu problema, Sumiris Arty?
Os pés de Ana Giovanni desapareceram da vista dos dois. Meio contrariada, Sumiris ajudou Justus a subir mais degraus e ficar mais perto dela.
- Eu fugi da Terra muito pequena. Fui adotada pelo Artos. Mas se você repetir isso em algum lugar daqui eu quebro essa sua cara de tartaruga vermelha!
Justus subiu os últimos degraus.
- Mas quem é Artos?
Ana Giovanni estava perplexa. Justus ajeitou novamente seus olhos. Tartaruga uma ova, pensou.
Havia uma imensa mesa de mármore no meio do salão comunal. Anões albinos trabalhavam incansavelmente. Ferramentas de corte, bigornas eletrônicas, calculadoras e compassos metamaticamente perfeitos. A grande oficina transpirava à tecnologia de ponta.
- Artos é o maior ferreiro que a cidade do Tempo já teve. Hoje ele passará de ferreiro a Ferreris – falou orgulhosamente Sumiris Arty. - Ferreris? – indagou Justus. - Será grão mestre da cidade. O maior inventor e médico-consertador de todos os tempos. Só uma pessoa conseguiu isso. - E quem foi essa pessoa? - perguntou Ana, intrigada. - O nome dele não é falado nesse Tempo, mas vocês sabem de quem se trata. - Quem? - perguntou Justus. - O portador do archote. Foi ele que... - Sumiris Arty!
A menina virou-se de cabeça baixa. Um homem gordo, de quase dois metros de altura, cinto prateado escuro em volta de seu pescoço, puxou a orelha de Sumiris.
- Eu falei para nunca usar essa palavra aqui! - Mas eu não disse o nome dele! - Calada! Você acaba de atrasar a entrega de meu prêmio com sua petulância vinda, vinda.... vinda daquele lugar! - Desculpa, mestre Artos. É que...
O albino gordo usava uma roupa de ferro, coberta com luzes fosforescentes. Tinha um bolso na camisa com o símbolo de tesoura. Em sua cabeça um chapéu com 4 símbolos químicos.
- Mestre Artos, é que... - Calada! Não ouvirei sua voz por 35 horas! Atrasou o prêmio por 37 segundos, ainda estou te dando uma colher de chá – disse ele, virando-se e andando sorrateiramente entre os anões ocupados - Eu me tornarei um Ferreris porque sempre entrego tudo pontualmente. Não permitirei que uma menina vinda... vinda... vinda daquele lugar! Você sabe, Sumiris.
Sumiris abaixou a cabeça, derrotada.
- Sim, mestre amado.
Artos levantou um anão do chão. Sacudiu a pobre criatura albina até que uma tesoura caiu no chão.
- Sabia! Sumiris!
Uma Sumiris obediente pegou a tesoura do chão. Toda oficina parou. Ela pegou o anão pelo pé que chorava desesperadamente.
- Eu precisava cortar os cabelos de minha filha, mestre amado! Era só para isso!
Sumiris jogou o anão torre abaixo enquanto que o sorriso de mestre Artos brotava.
- Alguém mais pretende me roubar? – perguntou aos demais trabalhadores.
Os anões albinos passaram a trabalhar mais concentrados. Justus e Ana começaram a se afastar quando o mestre de dois metros percebeu a presença dos dois.
- SU-MI-RISSSSSSSSSSSSSSSSS – gritou.
A menina veio rapidamente para sua frente.
- Pergunte quem são eles. - Eu sei quem eles são. - Eu não te perguntei isso. Quero que pergunte para eles.
Sumiris fechou a cara, mas obedeceu.
- Quem são vocês?
Ana pigarreou.
- O meu cordão quebrou e... - Pergunte quem são eles, Sumiris. Estou ficando impaciente. - Quem são vocês? – ela voltou a perguntar. - Eu sou uma menina e ele é um menino.
O mestre Artos gargalhou. Gargalhou tanto que Sumiris estremeceu. A oficina toda parou novamente.
- E você conhece esses dois, Sumiris?
A menina de olhos azul-claros encolheu os ombros.
- Você trouxe dois demais para cá!
Sumiris pensou em correr, mas mestre Artos a agarrou pelos cabelos e a pendurou nos ombros. Estava andando calmamente em direção ao mesmo lugar que Sumiris antes derrubara o anão. Justus escondeu o rosto. Ana Giovanni precisava fazer alguma coisa!
- Ana Giovanni e Justus Valentino.
Mestre Artos parou.
- Meu colar quebrou e Sumiris disse que só o senhor seria capaz desse grande feito. Só queremos voltar para casa e combater o Lúcifer.
O chão tremeu. Mestre Artos havia pulado. Ele soltara Sumiris e agarrara Ana violentamente.
- Você não pode dizer isso aqui!
Estava sufocando a menina quando Justus gritou:
- Não! Você não pode fazer isso com ela! Eu te dou o livro dezesseis!
Mestre Artos cambaleou. Todos os anões se agarravam e choravam. Sumiris amparou Ana que tossia.
- Impossível.
Justus não sabia porque falara aquilo, mas não tinha mais nada em mente. Por que precisava do livro dezesseis afinal? Não tinha nada escrito.
- Você está mentin...
Justus retirou de seu bolso o livro de capa marrom. Os olhos do futuro Ferreris brilharam.
- Você... – disse o ferreiro. - Nós só precisamos que conserte o cordão de Ana.
Ana Giovanni mostrara seu cordão para mestre Artos. O ferreiro sentou-se ao chão e chorou.
- Mestre... - disse Sumiris. - Esse é o dia mais feliz de minha vida, Sumiris. Pode voltar a falar.
Ana e Justus se entreolharam.
- Será que meu cordão tem jeito?
O ferreiro balançou as mãos e um anão trouxe seus óculos feitos de penas de ganso e lentes cristalinas.
- Uma obra celestial. – disse examinando atenciosamente o colar. - Foi um presente. - Vocês são crianças estranhas. - disse enxugando seus olhos com a manga de seu uniforme de ferro. Ao invés de limpar o rosto, fez pequenos cortes - Mas vou ajudá-los.
Sumiris sorriu. Justus coçou a testa.
- Me dê o livro, garoto.
Justus obedeceu.
- Mas senhor, não há nada nele que possa...
Artos balançou o dedo mindinho, um punhal foi trago à sua mão. Abriu o livro atentamente e rasgou a primeira página.
- Esse foi meu primeiro presente como ferreiro, mas levaram meu exemplar. Quer dizer, essa é a cópia número 1.
O livro, cujas páginas amarelas estavam sem nada, começou a balançar. Figuras de quimeras, terras de fogo, peixes, florestas, corujas, aparelhos tecnológicos surgiam do livro e pairavam na lente do ferreiro, que parecia um menino que se divertia ao ver pela primeira vez um desenho animado.
Os anões albinos, Ana, Justus e Sumiris sentaram-se para ver o espetáculo na lente do mestre. Diversos tipos de ferramentas e de utensílios de conserto pairavam no centro mais espesso que as bordas. Artos fechou o livro bruscamente. Os seres no salão comunal estavam encantados.
- Ana Giovanni, certo? - Sim, senhor. - Sei como consertar seu cordão.
Ana e Justus sorriram.
- Você terá que trazer quatro materiais de qautro mundos. O minério real das terríveis terras do fogo, a unha do peixe Nubalú no povoado do mar - concentrou-se e voltou a falar - a pimenta que só cresce nas florestas selvagens de Itako e uma pena da Coruja Sábia nas planícies da ventania. - fitou-os novamente.
Justus deu uma gargalhada.
- O cordão está quebrado, lembra? Como vamos para esse mundo? - Ué, você não trouxe o livro? Ache a resposta, disse o mestre devolvendo o volume. - Como? - Uriel me devolverá meu livro um dia. Só estava com saudades. Você vai precisar dele mais do que eu.
Ana pigarreou.
- Uriel? O senhor conhece meu pai?
Mestre Artos olhou para Sumiris e para Ana.
- O senhor conhece meu pai, mestre Artos?
Mestre Artos olhou para Ana e para Sumiris. Levantou-se e correu.
- Meu prêmio! Estou atrasado, Sumiris! Você não me avisou de nada! Eu não posso chegar atrasado! Perderei o título e cortarei sua cabeça!
Sumiris estremeceu. Danou-se a correr também. Ana quis correr também, mas olhou para seu amigo que tentava entender o livro e o procedimento feito pelo mestre anteriormente.
Escrito por The unknown human who sold the world às 1:51 PM // Link este capítulo
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