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capítulo VI - Segunda chance
- Obrigada, Aninha do meu coração.
Ana Giovanni abriu os olhos e sentiu o hálito reconhecível de Maria Clara Neves bem próximo. Tentou por um momento entender o que havia acontecido consigo. Uma hora estava no banheiro cheirando à urina e suja com a água detestável da privada. Agora estava ali, longe do banheiro, limpa e melhor, do lado de fora.
Ana Giovanni ergueu a cabeça e levantou-se enfrentando Ana Maria.
- O quê? Como ousa levantar, ser inferior?
Ana pegou sua pasta do chão rapidamente e voltou a encarar o rosto delicado e macio de Maria Clara. Os contornos faciais esguios, sua boca rodeada por finos lábios e quase inexistentes. Sua cara era sempre de alguém com mau humor, fazendo bico e um ar irritavelmente blasé. Ana percebeu o mesmo dedo indicador direito de alguns minutos atrás vindo novamente em sua direção. Esquivou-se. Quando Maria Clara esforçou-se para frente e percebeu a velocidade com que Ana Giovanni escapara, sentiu sua mãos empurrando-a. O tombo não seria menos dolorido mesmo se fosse em cima de um colchão macio.
- Aaaai!
Ana Giovanni olhou para trás e ouviu alguns passos vindo em sua direção, recolheu o resto de seu material espalhado pelo piso frio e desandou a correr na direção oposta.
- Ana Giovanni, sua idiota, eu vou te pegar!
O eco estridente da voz de Maria Clara ecoou pelos corredores do Colégio Sagrado Coração fazendo com que muitos alunos olhassem pelas janelas das salas de aula para ver o que estava ocorrendo. Antes de virar a esquina no corredor central da escola e desaparecer pelo pátio central, Ana Giovanni ouviu a voz de Miguel e Igor resmungarem e apanharem da irritante garota.
- Não ria de mim, seus mongolóides! Eu - cada vez mais alto - sou a supervisora do segundo ano!
Sentada, com os braços esticados e um rímel borrado, Maria Clara tentava se recompor diante das risadas histéricas dos outros alunos. Seu rosto se contorceu em uma horripilante expressão de ódio. Olhou em volta tentando procurar algo.
- Aquela gorda estranha não vai sair ilesa.
Levantou-se. E com os olhos semi-cerrados passou a procurar um pouco mais pelas paredes do lugar. E viu entre os escaninhos, bem escondido, uma folha de papel jogada contendo alguns rabiscos de Ana Giovanni. Maria Clara olhou para as duas figuras que sempre estavam a sua volta e abriu um sorriso macabro.
- Vejam só, a letra de Maria Clara.
Pediu a Igor uma borracha, mas lembrou-se que era mais fácil o rapaz andar com uma bandeira do Brasil em seu bolso do que com um objeto escolar. Olhou para Miguel e gesticulou. Pegou o pequeno objeto e apagou algo na folha. Depois passou a escrever por cima.
Escrito por José Amarante às 4:11 PM // Link este capítulo
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