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capítulo IV - A senha

Ana chegou em seu quarto e viu a doceira aberta. Brigou consigo mesma por ter deixado o pote ao léu. Um pequeno caminho de aranhas já era formado que ia debaixo do móvel até o pequenino recipiente de vidro. Deu um leve tapa para espantar algumas e viu a trilha dos pequenos insetos enlouquecer com o gesto. Parecem comigo, pensou.

De fato, estava certa. Sabia que muitas coisas aconteciam em sua vida desde que tomara consciência disso. Não tinha fé, não rezava a noite, não era cultista de nenhuma crença ou assava maçãs em um caldeirão com abóboras reluzentes. Mas algo ou alguma coisa sempre acontecia em sua vida. Por qualquer momento que fosse desesperador, a situação se invertia a favor de Ana Giovanni. Ora era o fim do grude da cantina logo na sua hora ou o sinal de fim de aula que tocava na sua vez de responder as perguntas de Álgebra. Sorte? Ana apenas achava que sempre precisava emagrecer um pouco mais. Talvez aos 30 não pense nisso, alertou-se.

Pegou o resto de seu material escolar e dirigiu-se a porta quando ouviu um barulho. Ana Giovanni parou e virou-se assustada. Na janela de seu quarto, pode reconhecer a figura que estava do lado de fora, portando incríveis óculos vermelhos de grossos aros.

- Justus, seu idiota! Quer me matar de susto?

Ana abriu a janela e puxou o pequeno garoto para dentro do quarto, que imediatamente tombou no chão, antes de rolar pelo tapete de retalhos.

- Ana, você não adivinha o que eu descobri!
- Espero que seja rápido, temos aula. Álgebra!
- Eu sei, eu sei. Mas espere, olhe.

O garoto retirou de dentro do casaco um pequeno papel amarelado. Nele estava escrito:

"Não abra-me se quiser entrar, Justus"

Ana arregalou os olhos e virou para o rapaz que sorria.

- O que é isso? Uma charada?
- Exato! E adivinhe mais uma coisa!
- Hmm... Você já descobriu a resposta?
- Ahm, não. Mas isso é o menos importante. O importante é que essa charada tem uma forte ligação com a porta secreta do laboratório do meu pai!

Justus fez aquele sorriso que Ana detestava.

- Seu pai criou uma senha que não queria que você descobrisse, certo?
- Correto.
- Porque ele cita seu nome no papel?
- Eu não tive tempo para pensar nisso ainda.
- Você realmente é engraçado.
- Não seria se não fosse seu melhor amigo.
- Ok, agora saia do meu quarto logo e vamos para o colégio.

Ana reconsiderou quando olhou pela janela o grande esforço que o garoto fizera pra chegar até ali. A descida pela janela seria um tanto quanto desastrosa. Conformada, os dois saíram do quarto, desceram pela escada e sumiram rapidamente pela porta da frente.

Escrito por José Amarante às 5:07 PM // Link este capítulo

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