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capítulo III - Ana Giovanni
Dizem que o dia que muda nossas vidas sempre raia com uma textura diferente, com acontecimentos inesperados e situações inusitadas.
Ana Giovanni desceu as escadas de sua casa de 7 quartos, 8 gatos, 1O empregados e 5 banheiros cambaleando de sono. Tinha que chegar cedo na escola para passar as coordenadas da cola grupal. Estava preste a responder automaticamente à sua mãe o porquê de não ter tomado banho antes de descer, mas encontrou a mesa do café da manhã vazia.
Sob a mesa, um bilhete vermelho, escrito com uma caneta prateada.
Aprecie seu café da manhã. Amor, Mamãe. P.S. = vire o verso
Desde quando sua mãe usava canetas não-pretas? Desde quando ela não estava presente para a refeição matinal? Desde quando ela deixava bilhetes? Desde quando...
Ana percebeu que do lado do bilhete havia um tipo de colar estranho, com um pingente maior do que um brinco de argola, contendo pequenas cinzas em seu interior. Nele as iniciais “INRI”.
Ana virou o verso do bilhete.
Seu pai gostaria que você ficasse com isso.
Meu pai? pensou.
A memória mais presente que tinha de seu pai era a foto de casamento de sua mãe, escondida no fundo do guarda-roupa e retirada dali somente nas duas vezes que Ana, aos 3 anos, perguntou porquê o pai dela não ia nas festas da escola.
Ele era loiro ou moreno? forçou seu pensamento, mas de nada adiantou. Havia esquecido.
Para agradar a mãe, automaticamente colocou o cordão. Tinha um perfume de menta.
Mordeu um pedaço de misto-quente e subiu as escadas correndo.
Sob a mesa, o papel tremeu e começou a se decompor, queimando sozinho.
Escrito por José Amarante às 8:27 PM // Link este capítulo
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