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capítulo II - Skiter

São Paulo

Skiter, desajeitado como sempre, recolheu do chão uma carta, duas, três e limpou o suor da testa com a manga bufante. Olhou em seguida para o estranho relógio avermelhado em seu pulso e verificou que estava atrasado umas tantas horas.

Tantas horas, mas que droga!

Trabalhar para ele sem dúvida nenhuma era um trabalho estressante. Se bem que demônios menores não deveriam ter, sentir ou desenvolver stress. Isso era coisa dos demais, como diziam. Aliás, os demais passavam apressados tanto quanto Skiter, carregando suas maletas, portando gigantes óculos escuros e desafiando o tempo entre movimentadas Avenidas.

Os demais nem repararam quando Skiter apertou um botão verde-fosforescente em seu relógio Time-Plus, "made in Korea", e uma névoa branca surgiu no ar envolvendo seu atarracado corpo de demônio. A fumaça percorreu o vazio pela calçada após girar pela cabeça oval de Skiter e atingir o relógio central da rua alguns metros dali. Em alguns segundos, o poste que iluminava dois ponteiros negros pararam. Lalalala jabaji sobuji, comemorou Skiter enquanto deixava cair mais algumas cartas de sua bolsa de couro de lagarto infernal. Olhou em volta e viu os demais antes apressados em suas vidinhas agitadas totalmente imobilizados. Pássaros estavam imóveis, o lixeiro que passava, carros haviam parado e até a fumaça que saía de seus canos de descarga estavam congelados em pleno ar. Skiter dançou animado em volta do poste e reparou a mágica névoa branca lentamente começar a se dissipar. Droga, preciso correr! Como sou estúpido! Skiter estúpido! e bateu o relógio avermelhado na testa, entre as duas pretuberâncias.

Chifres de demônio.

Abriu um lado da jaqueta de couro e sibilou cinco palavras indecifráveis antes de retirar um pequeno pedaço de graveto de um dos bolsos secretos. Quebrou-o ao meio e jogou-os ao chão. Zazaru Babalu! E como se pudesse, as sombras de tudo o que havia na rua se deslocaram esgueirando-se como serpentes e acumulando-se em seus pés. Um círculo sombrio formou-se bem embaixo do pequeno demônio, Skiter carregou o nariz pontudo e soltou rapidamente uma rajada verde na perna do gari ao seu lado. Riu mais uma vez e saltou dentro do buraco apressado.

Quando os chifres pontudos sumiram o movimento na rua São João voltou ao normal. Todos se movimentavam apressadamente como se nada houvesse acontecido, o relógio central da rua batia e as sombras pareciam seguir seus devidos donos. O lixeiro voltara a varrer quando sentiu o estranho gelado na perna e esbravejou: Droga de pombos! Tomou-se a varrer os demais pedaços de papel jogados no chão, entre eles um de seda laranja, com um emblema vermelho dourado em sua face.

Tudo indo pro lixo.

Escrito por The unknown human who sold the world às 5:42 PM // Link este capítulo

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